Em Campinas, cidade interiorana do Estado de São Paulo, na década de 60 o Largo do Rosário era um dos principais pontos de reunião da população.
Na praça, próximo à charutaria do Sr. Arduíno Bianchi havia uma banca de jornal onde trabalhava um mancebo cuja alcunha era Ratinho. E por sinal deveras justa, pois sua aparência assemelhava a do roedor: franzino e com o nariz muito afilado.
Desde que o Brasil teve no maracanaço aquele escore tão maldito que o moço nunca mais se interessou pelas telenovelas ou noticiários da rádio (se não fosse a mãe teria jogado o seu no quintal, bem no centro do galinheiro) e adotou o hábito de ler romances, como única distração.
Em uma manhã estava dentado em um caixote, com o continental sem filtro nos lábios, ao lado da banca, distraia-se lendo "Foi o destino" de M. Delly (a vizinha emprestara no dia anterior e condicionara que deveria ser devolvido ao final do dia) que nem notou a aproximação de uma pessoa.
Ao levantar os olhos o livro quase foi parar no chão, tinha diante de si uma deusa - rosto de anjo e corpo sensual, que lembrava Marilyn Monroe.
O vestido vermelho emoldurava o busto, marcando a curvas que o tecido não conseguia esconder; sapatos de salto e luvas pretas; além da bolsinha da mesma cor, formando um conjunto que dava um ar de requinte e sedução.
Perguntou no que poderia lhe ser útil e ela pediu se ele poderia fazer o favor de com ela.
Entusiasmado queria saber quando e ela respondeu que de imediato.
O rapaz nem pensou e aquiesceu o pedido, de forma vibrante e intrigado.
Ratinho abriu o vidro, torcendo para que algum conhecido passasse e o visse.
Agradecendo também a Deus por ter dado a dica de trocar a camisa Volta ao Mundo que usou por dias seguidos e por ter se lembrado de passar Glostora nos cabelos.
Sentia-se importante e cada vez mais entusiasmado.
De rabo de olhos olhava a linda beldade sentada e segurava o ímpeto de passar as mãos pelas belas coxas bem torneadas, que o vestido teimava em mostrar.
Sua mente gera a fantasia que ela o enlaça e sussura baixinho com uma voz sensual, a música "Bésame Mucho".
Ele sela seus lábios carnudos com um beijo que agita ambos e endurece todas as fibras de seu organismo.
Toma um gole de Cuba Libre e avança acariciando o pesçoço, lambendo a ponta da orelha e tirando o vestido.
Chegam, o carro estaciona e ele não nota.
Quase grita quando o chofeur abre-lhe a porta.
Envergonhe-se com o tamanho do "entusiasmo" (doendo) e salta do veículo.
Tira a camisa de dentro das calças e e acompanha a madame para dentro dobangalô tentado difarçar.
Passam pela sala e ele repara que o luxo existente nem no cinema tinha visto, mas seus pensamentos estão voltados unicamente para a linda dama, que ele já a tem como "minha deusa". Ela conduz a um quarto e ele deslumbra-se ao ver algo tão...tão..(não tem palavras que possam traduzir), mas o faz tremer .
A senhora tira de dentro de um guarda roupa traje de banho, (peça considerada justa e ousada para a época) e solicita que ele vestia, sente ele um tão bom que deduz que só pode ser o tal perfume Chanel nº 5.
Nunca teve um calção, mas acredita dar maior liberdade de movimentos e sente arrepios percorrendo o corpo todo. Ela informa que não se demora e sai.O homem coloca o calção (sente-se um verdadeiro galã do cinema) e o tamanho do "entusiasmo" evidencia-se ainda mais, porém a imaginação o prende novamente e ele retorna à cena na qual a está desnudando.
Chega a sentir o cheiro de feromônio; o coração acelera, a respiração fica ofegante e instintivamente acaricia-se por cima da roupa.
Ela bate e pergunta se pode entrar e ele quase sem poder falar responde apenas sim, mas sua vontade era acrescentar que estivera sonhando com ela e ansiava pelos momentos de prazer que proporcionariam um ao outro.
Encontra-se tão absorto que não repara que ela segura dois meninos pelas mãos e pronto para dizer que é uma aberração sem tamanho é interrompido pela frase que solenemente ela diz:- "Vejam como vocês ficarão se continuarem a não comer e recusar as vitaminas que o medicou receitou."
Sempre que questionado da veracidade do relato Ratinho confirma com a cabeça e esquiva-se.
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